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Sua moto fica muito tempo parada? Veja como evitar problemas

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Em casa de ferreiro, o espeto é de pau. Este modo de dizer serve bem para mim, que paguei pecados por um erro que alguém às voltas como motores há muitas décadas como eu não poderia jamais ter cometido. O que fiz? Larguei minha pequena Honda Pop 100 sem uso durante meses, sem tomar as devidas providências.

Em minha defesa, afirmo: eu sabia de tudo de ruim que aconteceria, mas não havia como contornar, e deu no que deu… Sem entrar nos detalhes da burrada, foco no ponto crucial que é como evitar problemas em uma moto parada por muito tempo.

Primeiro de tudo, definir “muito tempo”? Uma semana pode ser muito, se sua moto estiver com uma bateria cansada. Se você usa sua moto regularmente – pelo menos umas 3 vezes por semana e por períodos acima de meia hora – sua bateria deverá suportar tranquilamente uma inatividade de ao menos uma semana-10 dias. Tal verdade se aplica a baterias de no máximo 2 anos de vida que é, hoje em dia, a média de vida útil deste componente. No passado, especialmente por conta dos materiais usados, baterias costumavam durar mais. Hoje baterias livres de manutenção (nas quais não é possível completar o nível da água destilada) têm vida útil menor. Conforme-se.

Sugadora de volts
Mas, então, o que fazer? Regra básica nº 1 é evitar descargas de energia excessivas no período imediatamente anterior ao de “hibernação”, no qual sua moto ficará muito tempo sem uso. Isso quer dizer, em termos práticos, evitar absolutamente o uso de buzina, um dispositivo sugador de volts. Se acaso sua moto tiver partida elétrica, evite também partidas prolongadas ou uso intenso no período imediatamente anterior ao da imobilização.

Um truque que pode ajudar (e depende muito da facilidade de acesso da bateria) é desligar o pólo negativo, o cabo preto, tomando cuidado para isolá-lo de qualquer contato. No entanto, este expediente pode ser contraindicado em caso de motos com eletrônica mais sofisticada, as motos maiores, que podem sofrer uma desprogramação do sistema eletrônico. O melhor é consultar o seu mecânico sobre o tema, ou então deixar a bateria plugada a um pequeno carregador, que, mais do que carregar, evita que ela se descarregue.

Nas motos pequenas, a bateria não é a maior fonte dos problemas pois, mesmo se 100% descarregadas (o que não fará muito bem à bateria…), geralmente elas não afetam o funcionamento do motor. A partida elétrica, óbvio, não funcionará, mas, como no caso de minha Pop 100, ali estará o salvador da pátria, o pedalzinho de partida, que sempre dá conta de “acordar” o motor, caso o mais cruel dos problemas das motos paradas por muito tempo não tenha se instalado, com todos seus malefícios: a gasolina velha.

Combustível ‘gagá’

Nada pior do que um sistema de alimentação impregnado de combustível deteriorado. No caso disso ter acontecido, você estará – como eu – ferradão, e haja tempo e mão de obra para recolocar as coisas seu devido lugar, fazer a correta assepsia do sistema para que tudo volta a funcionar.

Qualquer gasolina tem prazo de validade. A nossa, de um modo geral, não prima pela qualidade. Técnicos no assunto estabelecem 6 meses como prazo máximo antes do combustível se tornar inadequado. Isso se ele for mantido em armazenamento ideal, que não é o caso do seu tanque.

Pergunta: no posto onde você abastece te informam o prazo de validade do combustível? Claro que não! Por isso, é prudente considerar a metade deste prazo, 3 meses, como a validade real desde que alguns prodedimentos sejam respeitados desde o momento que você a adquire até o uso.

Os sintomas
Antes de falar como manter sua gasolina “jovem” por mais tempo, vou citar os sintomas que a gasolina ruim/velha causa em sua moto. Em casos extremos, o motor simplesmente não “pega” ou, quando funciona, o faz de maneira iregular, falhando, respondendo de maneira estranha ao comando do acelerador.

No caso de motos mais simples ou antigas, equipadas com carburador, a cura para isso implica na desmontagem e limpeza do sistema, pois a gasolina vencida se deteriora, formando depósitos, uma espécie de goma que adere às pequenas passagens dos giclês, nome dado a tubinhos com furinhos mínimos cujo papel é participar ativamente da elaboração da mistura ar+combustível, responsável pelo funcionamento de qualquer motor à combustão interna.

Motores mais modernos, dotados de sistemas de injeção eletrônica de combustível também sofrem com a gasolina deteriorada, mas menos: geralmente o motor funciona, mas muito mal, dando clara mostra de não estar gostando nada da bebida que lhe está sendo servida.

Como resolver
Procedimento padrão em ambos casos é se livrar do líquido deteriorado, com o cuidado de não empestear o meio ambiente, ou seja, jamais jogar gasolina (ou óleo) em um ralo ou em qualquer outro local que não seja um distribuidor de combustíveis. Isso mesmo: o lugar onde você adquire combustível é o ideal para se livrar dele. Em todo posto devem existir tambores destinados a receber óleo queimado e gasolina velha, que será transportada até um lugar onde tais líquidos serão devidamente reciclados.

Desmontar um carburador e limpá-lo não é algo complexo, mas tal atividade é e será sempre melhor se deixada para profissionais.

Como evitar
Assim, se o mal já foi feito, melhor explicar o que fazer para evitar que tudo se repita da próxima vez, caso sua moto vá ficar parada por mais de duas semanas.

1ª Sempre deixe o tanque cheio até a boca: quanto menos ar houver no reservatório, menor será a evaporação do combustível e sua consequente oxidação, que é a maior responsável pelo envelhecimento e surgimento da tal goma maldita.

2ª Prefira gasolina aditivada ou do tipo premium, que à diferença da gasolina comum, conta com aditivos antioxidantes, que retardam o envelhecimento.

3ª Se o período sem uso for maior do que 2 ou 3 meses, antes de ressucitar sua moto, simplesmente retire a gasolina velha do tanque e a substitua por uma nova.

4ª Caso sua motocicleta tenha torneira de combustível, antes de deixar a moto descansar pelo período que for, coloque-a na posição fechada e deixe o motor funcionar até “apagar”. Isso fará com que o carburador praticamente seque. Quer caprichar neste item? Após o motor morrer sozinho, esvazie a cuba, nome dado ao reservatório situado na parte inferior do carburador, onde sempre há um parafuso e um dreno, mangueirinha destinada exatamente para esta finalidade. Não esqueça de apertar parafuso novamente, após o pouco de gasolina restante ter parado de escorrer.

5ª Evite deixar sua moto exposta ao sol ou calor excessivo, fatores que aumentam a prejudicial evaporação do combustível.

6ª Outra dica importante se refere aos pneus: se possível, deixe sua moto estacionada no cavalete central, se houver. Em caso negativo, infle-os com pressão maior do que a recomendada, cerca de 20%-25% a mais. O objetivo é duplo: tanto o de minimizar eventuais deformações dos pneus quanto encontrar a moto com condições de encarar o trajeto até o calibrador mais próximo.

 

 

FONTE: G1 por Roberto Agresti

 

Convem

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